segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Jornal Paraíba Mais


Mês do rock nroll
A chegada de outubro traz à Paraíba a expectativa das comemorações do mês do rock n’ roll. Em João Pessoa, a data oficial desta celebração é o dia 10 de outubro, que, este ano, fomenta a realização de dois festivais independentes. 

A cena paraibana do rock vem ganhando solidez devido à disseminação de conteúdo através da internet. Não apenas pela divulgação da produção musical do Estado, mas também pelo contato com outras bandas nacionais; pela publicação de trabalhos de artistas e jornalistas da cena alternativa; pelos blogs e listas de discussões, dedicadas exclusivamente ao assunto e, pela integração nacional entre os produtores de eventos independentes. 

Todas estas atividades de distribuir e absorver informações acabam gerando um meio cultural mais conciso que estimula as produções alternativas de arte e o surgimento de novas bandas.

Os festivais, por sua vez, são o meio mais eficiente de divulgar estes novos grupos musicais e de reunir os frutos artísticos de todo o país. Na Paraíba, o ‘Festival Mundo’ e o ‘Aumenta que é Rock’ são os dois maiores eventos com esse perfil. Idealizado por jovens, o primeiro, realiza em 2008 sua 4° edição e o segundo, produzido por Marcos Thomaz, Eliseu Lins e Thiago Oliveira, acontece pelo terceiro ano. Para participar, as bandas da Paraíba têm de entregar algum material musical, no prazo determinado pelas devidas produções. 

Após um processo de triagem, a equipe define quais bandas estão selecionadas. Dependendo do festival, elas passam pelo voto popular e posteriormente por uma avaliação técnica da equipe organizadora para, enfim, concluir o processo de escolha. 

Paralelamente, são convidadas para o evento bandas do circuito alternativo de outros lugares do Brasil. A cada edição, novidades são introduzidas nas suas respectivas programações. Contudo, fazer este tipo de evento envolve muitas dificuldades.

De acordo com umas das produtoras do ‘Festival Mundo’, Carolina Morena, o principal obstáculo é a dificuldade de conseguir patrocínio. Apesar de existirem alternativas públicas como o Fundo de Incentivo a Cultura Augusto dos Anjos (FIC), estes festivais dificilmente são contemplados. “Editais como o FIC são muito restritos. Na maioria das vezes eles priorizam algo que envolva música popular e você sente que falta abertura do governo e da prefeitura para os eventos alternativos, para algo que não seja MPB”, opina.

A ajuda privada é igualmente difícil. “As empresas preferem financiar shows como Chiclete com Banana, por exemplo, do que financiar um evento de bandas desconhecidas. Falta uma percepção de que este trabalho é feito com seriedade, tem organização e logística igual à de shows maiores”, defende a produtora que também faz parte de uma banda paraibana. 

Devido às dificuldades de fazer festivais independentes, a amizade com produtores de outros Estados torna-se fundamental. “Procuramos trazer bandas de fora da Paraíba que sejam mais acessíveis. Quando não dá para financiar os gastos com hospedagem e alimentação nós negociamos. Entramos em contato com produtores de Estados vizinhos e organizamos uma espécie de turnê da banda, assim dá pra dividir os gastos”, explica Carolina.

Segundo Diogo Galvão, convidado a integrar a equipe de produção do Aumenta que é Rock deste ano, isto acontece porque João Pessoa ainda não tem uma produção tão forte quanto Recife e Natal, por exemplo. “Até pela geografia ficamos entre dois estados que têm essa ‘cena’ muito mais consolidada, por isso fica mais fácil trazer bandas se o produtor tem mais influência”, diz Galvão.

O caminho das pedras também é trilhado pelas bandas. De acordo com o baixista da banda pessoense Afetamina, Bruno Lima, a grande dificuldade é, sem dúvidas, a falta de recurso. “Tudo é bastante caro, desde a compra dos instrumentos, os ensaios em estúdio, até a gravação de demos. O investimento é alto e, se mal investido, o retorno é zero”, afirma.

Autor: Danielly Almeida especial para o JPM

Senhor F


Festival Mundo, em João Pessoa, anuncia programação oficial


O Festival Mundo acontece em João Pessoa, de 14 a 19 de outubro, com shows, oficinas, debates e outras atividades. “O festival surgiu em 2005, num momento de marasmo e comodismo por qual João Pessoa passava, e logo chamou atenção como um festival corajoso e pioneiro na cidade, por somar à música outras formas de expressões artísticas, carregando no próprio nome conotações que remetem à diversidade cultural e integração”, definiu o site Lado Norte. Ano após ano, o festival firmou-se como principal vitrine da produção independente da capital paraibana, e hoje, quatro anos depois, anuncia programação que pode ser conferida no site oficial do festival. (Da Redação)

- Veja aqui a programação completa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

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Link Musical - 26 de setembro de 2008

Confira programação do Festival Mundo 2008




Essa semana a organização da quarta edição do Festival Mundo, que acontece em João Pessoa (PB), divulgou a programação do evento. Entre os dias 14 e 19 de outubro, o festival promove debates, exposição de artes, mostra de audiovisual e dois dias de shows. Entre as bandas está a pernambucana Sweet Fanny Adams. 

Confira a programação completa. 

Sexta – 17/10 - A partir das 19hrs

Macaco Bong (MT)
Cabaret (RJ)
Calistoga (RN)
Sem Horas (PB)
Camarones Orquesta Guitarrística (RN)
Outona (PB)


Sábado – 18/10 - A partir das 19hrs

Cabruêra (PB)
Burro Morto (PB)
Sweet Fanny Adams (PE)
O Garfo (CE)
Nublado (PB)
Elmo (PB)
Cerva Grátis (PB)


MOSTRA AUDIOVISUAL
A mostra audiovisual exibirá a evolução do rock em João Pessoa, com documentários e videoclipes de bandas locais, com destaque para o lançamento do primeiro videoclipe da banda paraibana Burro Morto, além de exibição de curtas-metragens. 

Data: 17 e 18 de outubro Horário: A partir das 20hrs, durante os quatro primeiros intervalos dos shows Local: Galpão 14 (Centro Histórico) Curadoria: Carlos Dowling 

OFICINAS
Em parceria com o SEBRAE-PB, o Festival Mundo buscou atender temas diretamente ligados às reais necessidades de quem produz e divulga música, sempre focados na realidade de trabalho local. 

Home Studio
Data: 18 e 19 de outubro (sábado e domingo)
Local: Estúdio 24h (Praça Antenor Navarro - Centro Histórico)
Horário: 14h às 18h (carga horária de 8hrs)
Inscrições Gratuitas | 10 vagas
 

Conteúdo: Oficina musical básica sobre técnicas de gravação, edição e mixagem em um computador pessoal; noções de hardwares e softwares; pré-produção; dicas e truques. 

Ministrantes:
Leo Marinho, Ruy Neto e Daniel - Sócios do Estúdio 24 (PB).
Haley - Técnico do Estúdio Peixe-Boi (PB).
(Todos são também músicos e integram a banda Burro Morto - PB). 

Produção de videoclipe com baixo orçamento
Data: 14 a 17 de outubro
Local: Ksa Rock (R. Duque de Caxias, nº73, Centro)
Horário: 15h às 19h (carga horária de 12hrs)
Inscrições Gratuitas | 15 vagas
 

Conteúdo: Estética de som/imagem; edição; manejo de equipamento; como trabalhar com baixos orçamentos e, como resultado, início de produção de um vídeo clipe com a turma. 

Ministrante:
Carlos Dowling - Cineasta e Presidente da ABD-PB (Associação Brasileira de Documentaristas).
Atenção - Inscrições para oficinas pelos e-mail festivalmundo@gmail.com até dia 11 de outubro. 

EXPOSIÇÃO
Exposição coletiva, com 8 artistas locais, refletindo a produção contemporânea de artes visuais.
Curadoria: Fabio Queiroz
Datas:
Vernissage: 16 de outubro | 16hrs.
Exposição aberta de 16 à 31 de outubro.
Local: Casarão IAB (Centro Histórico)
Horário: das 14 às 18hrs.
Entrada gratuita

DEBATES
Discutir funções, rumos e facilitar a troca de experiências, essenciais para ampliação de visões de mercado. Os debates acontecerão durante toda a tarde de sábado, e terá como publico principal os artistas locais e interessados em produção de música independente. 

I- Profissionalização de bandas no mercado independente
Data: 18 de outubro
Local: Intoca (Centro Histórico)
Horário: 14h às 16h
Vagas: 30
Gratuito
 

Conteúdo: Explanação e debate sobre o mercado independente e suas tendências; dicas de produção e divulgação para bandas novas; circuito de casas de shows e festivais independentes no Brasil; intercâmbio e troca de experiências; caminhos para sobreviver e crescer no independente, tomando como base a experiência da banda Macaco Bong (MT). 

Convidados: Bruno Kayapy, Ynaiã Benthroldo e Ney Hugo - Integrantes da banda Macaco Bong (MT) e fazem parte do Instituto Cultural Espaço Cubo, onde são produtores musicais e co-realizadores de eventos e festivais. Também são militantes da Volume (Voluntários da Música).

II- Rock: contracultura e produto de mercado
Data: 18 de outubro
Local: Intoca (Centro Histórico)
Horário: 16h às 18h
Vagas: 30 vagas
Gratuito
 

Conteúdo: Pontos de vista sobre o que aconteceu efetivamente nos últimos 10 anos e o que há por vir; Rumos da indústria fonográfica e a produção independente deste gênero de música que revolucionou o mundo. 

Convidados:
Bruno Nogueira (PE) - Jornalista especializado em crítica cultural e mestre em comunicação social, onde desenvolveu pesquisa sobre indústria fonográfica e internet. Trabalhou na Folha de Pernambuco, Jornal do Comércio e está no Diário de Pernambuco. Colaborou com as revistas Continente Multicultural e Coquetel Molotov e é um dos colaboradores do site RecifeRock. Cobriu alguns dos principais festivais do país. Fez curadoria para o Abril Pro Rock 2008 e para o projeto Pátio do Rock. Foi professor da Faculdade Barros Melo (Aeso). Possui o blog Pop Up! sobre música e cultura pop. 

Marcus Alves (PB) - Jornalista, Mestre em Comunicação Social e Doutor em Sociologia. Desenvolveu pesquisas sobre a cultura pop/rock do Brasil nos anos 80. Autor do livro “Cultura rock e arte de massa”. É professor da Faculdade IESP, no curso de publicidade e propaganda. Foi professor do curso de extensão sobre “Pop/rock e a cultura brasileira” na faculdade IESP.

Link Musical - 2 de outubro de 2008

Mudança na programação do Festival Mundo 2008


A organização da quarta edição do Festival Mundo, que acontece em João Pessoa (PB), já divulgou mudanças na programação do evento. A banda paraibana Sem Horas cancelou a apresentação essa semana e a produção do festival já está em processo de escolha de uma nova banda. 

Entre os dias 14 e 19 de outubro, o festival promove debates, exposição de artes, mostra de audiovisual, oficinas em parceria com o SEBRAE-PB e dois dias de shows. Entre as bandas está a pernambucana Sweet Fanny Adams. O estado também está representado com a participação do jornalista Bruno Nogueira no debate Rock: contracultura e produto de mercado. 

Na mostra audiovisual exibirá a evolução do rock em João Pessoa, com documentários e videoclipes de bandas locais, com destaque para o lançamento do primeiro videoclipe da banda paraibana Burro Morto, além de exibição de curtas-metragens. Os debates acontecerão durante toda a tarde de sábado, e terá como publico principal os artistas locais e interessados em produção de música independente. 

Confira a programação completa do Festival Mundo 2008 aqui no Link Musical.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Correio da Paraíba - 2 de outubro de 2008

Quinta, 2 de Outubro de 2008 - 09h00

Star 61 vai pro lugar do Sem Horas

Chegou aos ouvidos do colunista a informação (já checada) de que, “por motivos internos”, a banda Sem Horas, mesmo depois de ter confirmado sua participação no Mundo 2008, optou por não mais participar do festival.
Cá com meus botões de carne, plástico e osso, acho que o Sem Horas deveria participar, sim, do Mundo, já que é uma banda emergente, tocou no KSA Rock, vê seu público local crescento e o festival coordenado por Rayan Lins é um dos melhores acontecimentos da cena alternativa cultural nordestina. Mas, respeitemos os “motivos internos” da rapaziada do Sem Horas. Afinal, a estrada é grande pela frente. É aquela beatliana “long and winding road”. 
Rapidamente, a coordenação do Mundo já preencheu o espaço momentaneamente vazio no dia 17 (o primeiro do festival): o Star 61 vai pro lugar do Sem Horas.
Com certeza, pelo que conheço do “band leader”, o vocalista Flaviano André, o Star 61 vai arrebentar no Mundo 2008, com seu energético “glam rock”. Não custa recordar que Star 61 causou caras e bocas nacionais em 2005, como um dos finalistas do Claro que é Rock. Flaviano, Thiago Sombra, Rieg Wasa, Ruy Neto e Herlon Rocha estavam um tanto reclusos em estúdio até lançar, na semana passada, o terceiro EP da banda, “Você não sabe o que perdeu”. Anteontem mesmo, no Recife, eles gravaram na eliminatória do festival nacional Gassound.

No mais, não ‘tô indo embora e desejo todo o sucesso do planeta a Rayan, Calorina e todos os que fazem o Mundo 2008;

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saiu melhor que a encomenda!

Cancelado show do Sem horas no FM2008
Por motivos internos (que não valem a pena serem citados), a banda Sem Horas, mesmo após ter confirmado sua participação no Festival Mundo 2008, cancelou no dia 25, a sua apresentação.

Star 61 confirmado e programação definitivamente fechada!

Em compensação, o Festival Mundo trás uma atração já conhecida de longa data do público paraibano, tanto pelo seu som energético, quanto pelas performances do vocalista Flaviano durante os shows. A Star 61, que estourou nacionalmente em 2005 como um dos finalistas do festival "Claro que é Rock" e estava reclusa em estúdio a algum tempo, acaba de lançar seu terceiro EP, 'Você Não Sabe o que Perdeu' e está participando da eliminatória do Festival Gassound. Flaviano André (vocal e guitarra), Thiago Sombra (baixo), Rieg Wasa (guitarra), Ruy Neto (bateria) e Herlon Rocha (teclado) tocam ainda no Festival DoSol desse ano, em Natal (RN).

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Destaque

Programação do Festival Mundo 2008 e entrevista com Carol e Rayan no blog Pop Up! é destaque no Yahoo: http://www.yahooposts.com/categorias/16_1.html
Bruno Nogueira nos confessou que foram tanto acessos que o contador do blog pirou!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Entrevista com Carol e Rayan pro Pop Up!

Por: Bruno Nogueira


A Paraiba sempre foi um dos principais celeiros da boa música independente do Nordeste. São de lá a Cabruêra, ChicoCôrrea, Star 61, Zefirina Bomba e agora o Burro Morto, bandas que sempre foram, em algum momento, centro da atenção quando o assunto era selos, festivais, etc. É de se estranhar que, até então, o estado não tivesse um festival de música nos moldes de um Abril Pro Rock ou DoSol, como acontece em todos os outros estados da região.

Precisou a iniciativa de uma dupla bem nova, Carol Morena e Rayan Lins, que produziam shows menos na cidade quando muito marmanjo só pensava em encher a cara, para mudar essa situação. Eles começaram com a cara e coragem o Festival Mundo, que agora vai para a quarta edição e já coloca João Pessoa no mapa dos festivais, já que eles são um dos próximos nomes a compar a lista da Associação Brasileira de Festivais Independentes, a Abrafin.

Abaixo, entrevista que fiz com os dois:

- A Paraiba tem sempre nomes representativos. Cabruera, Zefirina Bomba, ChicoCorrea, agora o Burro Morto… Porque vocês acham que demorou tanto a João Pessoa ter um festival que fizesse parte do circuito?

CAROL - É uma questão de interesse, por saber que o trabalho ganha muito em qualidade e dinâmica quando se sabe que ele faz parte de um circuito maior, não estando isolado. A gente tem a preocupação de dar uma circulada e ver outros festivais no país, ver shows, ver realmente o que está acontecendo com a música independente nesses últimos anos. Isso torna o festival realmente verdadeiro e justificável. João pessoa já teve outros festivais, como o Mormarço, que, ao seu modo, também fazia uma boa circulação de músicos e público. A diferença é que hoje esse mercado está mais articulado, sendo maior a visibilidade dessas produções.

RAYAN - Faltava gente comprometida, Bruno. Não é fácil produzir por aqui, tem que formar público e fortalecer, mostrar a vantagem de ter uma cena forte e unida e na maioria das vezes ficar batendo em teclas básicas demais. Sempre falo que nosso trabalho é muitas vezes até educativo. Antes tínhamos o Mor-março, que tinha tudo pra entrar nesse cirtuito, mas aí Ilsom foi pra São Paulo com o Zefirina e acabou tudo, a cidade voltou ao zero. Foi a partir dái, também, que resolvi fazer o festival e posteriormente integrar Carol nisso, que é uma pessoa que sempre se mostrou comprometida e afim de fazer algo pra melhorar essa situação de marasmo por aqui. Nós realmente queremos colocar a Paraíba no mapa e integrar o circuito de festivais independentes, abrindo portas pra mais bandas virem tocar aqui e mais bandas daqui irem tocar fora.

- Essa soa meio clichê, mas afinal qual a dificuldade em se fazer um festival como o Mundo em João Pessoa? É o público? As próprias bandas? Outros apoios?

CAROL - A questão principal é dinheiro, sempre foi. Sempre nos preocupamos em fazer um festival completo, que realmente fosse vitrine da produção local e que pudesse trazer artistas que somassem à programação, numa estrutura bacana. João Pessoa merece e pode fazer isso, e estamos fazendo.

É uma dificuldade constante ter apoio de empresas privadas. Não adianta só apresentar o projeto do festival, a gente tem que fazer a empresa acreditar nisso, provar a todo segundo que realmente é um projeto importante, explicar que a gente não tem o Capital Inicial ou Biquini cavadão porque não é a nossa proposta mesmo, entende? Ainda ter que explicar isso hoje em dia é desistimulante, e a quantidade de respostas negativas também.

Apoio publico é complicado. Editais locais são complicados, acabam sempre contemplando um único perfil de produção cultural, sempre voltada pra música popular, entende? Sempre temos apoio da prefeitura, custeando alguns ítens do nosso orçamento, mas este ano foi duplamente complicado por ser ano eleitoral e esse apoio acabou não rolando.

Público não sustenta as atrações do festival, além de ser sempre uma incógnita. Não é difícil ver gente reclamando de pagar 6 ou 8 reais pra entrar, é um absurdo! São poucas as pessoas que sai de casa pra conhecer bandas, nós damos nó em pingo d’água aqui, hehehe.

RAYAN - É sempre difícil produzir algo do tipo em qualquer canto, mas aqui é quase impossível. O público é complicado, reclamam quando não tem nada diferente acontecendo na cidade, mas não são abertos a novidades, querem sempre as mesmas figurinhas carimbadas e deixam de comparecer por não conhecer uma atração.

Já as bandas, de um ano pra cá, estão mais antenadas, procurando se profissionalizar e viver a banda. Nos sentimos parte desse processo, pois independente das oficinas e debates do festival, estamos sempre conversando com as bandas e dando dicas, mostrando o que tá acontecendo fora do estado e o que elas podem fazer pra crescer mais e mais.

A grande dificuldade que sentimos é realmente a falta de incentivo, seja pública, seja privada. Tanto município, quanto estado possuem leis de incentivo, mas que simplesmente não funcionam para outros movimentos que não os regionais. Ano passado mesmo, só de cabeça agora, me lembro de dois festivais e uma coletânea que não entraram nessas leis de incentivo.

As empresas privadas de médio porte do estado preferem investir em shows de forró, enquanto as de grande porte não possuem sede aqui, é muita burocracia e eles não vêem a importância de investir em marketing cultural local, vem tudo pronto e enlatado de fora.

Enquanto isso a gente vai tirando leite de pedra e construindo parcerias como a do Sebrae e da Coca, que mesmo não sendo patrocínios, são apoios importantes pra realização do festival.

- O que estamos vendo em outros estados é realmente o que tem de mais legal ai? Ou existem outras bandas que vocês percebem no dia a dia e que ainda não chegaram aos festivais? O que deveriamos estar ouvindo? =)

CAROL - Eu costumo dizer que o grande problema das bandas locais é a falta de noção de produção. Nos ultimos tempos isso tem melhorado um pouco, posso dizer no máximo 4 bandas que estão abrindo os olhos pra fora do estado agora, e é importantíssimo tocar fora, não só por divulgação, mas por amadurecimento.

Fora essas que você citou, a Star 61, Sem Horas, Nublado e Reis da Cocada Preta estão se articulando, e, por consequencia amadurecendo, independete de estilos ou gosto pessoal. Elas merecem crédito por isso. Mas confesso que ainda sinto falta de um grande nome dentro do rock por aqui.

- Lembro que vocês foram ao Abril Pro Rock apresentar proposta de filiação na Abrafin. Como é que está esse processo? Perto, longe? O que falta?

RAYAN - Nossa filiação com a Abrafin deveria ter sido concluída no encontro que aconteceu no Calango, mas resolveram adiar e conferir de perto a edição deste ano. Em parte por problemas internos da associação e em parte por problemas internos nosso (pois acabamos transparecendo que talvez este ano não houvesse o festival). Conversamos com o Pablo Capilé durante a Feira da Música em Fortaleza e pudemos apresentar melhor o festival, ele gostou e foi daí que já fechamos o Macaco Bong. Tudo está caminhando para que próximo ano o Festival Mundo já esteja integrando a Abrafin.

- Fiz essa pergunta a Foca, do DoSol, e acho que devo repetir ela um monte ainda. Como foi a seleção de bandas do festival? Queria que vocês justificassem algumas das atrações convidadas.

RAYAN - A verdade é que acabamos tendo critérios diferentes para bandas paraibanas e bandas de outro estado e vou explicar porque. Nos dois casos, gosto pessoal da gente influência muito, mas é muito mais forte com as bandas de fora. A vontade de apresentar algo novo e que você curte pro público é muito forte. Mas é claro que além disso conta também a vontade da banda em tocar aqui e o trabalho que ela vem desenvolvendo. Nunca tivemos grande nomes, até porque nunca foi essa a intenção do festival, o que nos importanta é que sejam bandas comprometidas com o que fazem.

Já com as bandas daqui, o gosto pessoal pesa menos, tentamos escolher bandas que façam bem o seu som, independente de gostarmos daquele estilo ou não. Bandas realmente afim de crescer e que tenham mais chances de dar certo. É uma forma também de incentivo para outras bandas se espelharem e fazerem a coisa da maneira certa.

Temos o Macaco Bong, que é uma puta banda, tem tocado em quase todos os festivais e é realmente foda. E o Cabruêra, que apesar de ser local, deve ter tocado mais na Europa que por aqui nos últimos tempos. Estávamos em negociação com eles desde o ano passado e finalmente fechamos esse ano. Vai ser ótimo pra diversificar ainda mais o festival.


Link: http://www.popup.mus.br/2008/09/23/entrevista-carol-morena-e-rayan-lins/

Jornal Correio da Paraíba - 24 de setembro de 2008

Cultura

Quarta, 24 de Setembro de 2008

Programação completa do Festival Mundo é lançada

O Festival Mundo surgiu em 2005, num momento de marasmo e comodismo por qual João Pessoa passava, e logo chamou atenção como um festival corajoso e pioneiro na cidade, por somar à música outras formas de expressões artísticas, carregando no próprio nome conotações que remetem à diversidade cultural e integração. Ano após ano, o festival firmou-se como principal vitrine da produção independente da capital paraibana, e hoje, quatro anos depois, anuncia programação para a edição de 2008.
Colocando definitivamente João Pessoa no circuito de festivais independentes do país, teremos em 2008 uma semana de atividades (de 14 a 19 de outubro), entre oficinas, debates, exposição de artes coletiva, mostra audiovisual e shows, atraindo a atenção de jornalistas, músicos, artistas plásticos, videastas e público interessado para a cidade e sua produção.
Contemplando artistas consagrados e novos do cenário independente nacional, o festival terá 7 bandas paraibanas e 6 nacionais, no Galpão 14 (Largo de São Pedro Gonçalves, no Centro Histórico).
A coordenação do Festival Mundo liberou ontem a programação, que é a seguinte:
Sexta – 17/10 - Macaco Bong – MT; Cabaret – RJ; Calistoga – RN; Sem Horas – PB; Camarones Orquesta Guitarrística – RN; Outona – PB.
Sábado – 18/10 - Cabruêra – PB; Burro Morto – PB; Sweet Fanny Adams – PE; Garfo – CE; Nublado – PB; Elmo – PB; Cerva Grátis – PB.
Haverá uma mostra audiovisual – durante os quatro primeiros intervalos dos shows - que exibirá a evolução do rock em João Pessoa, com documentários e videoclipes de bandas locais, com destaque para o lançamento do primeiro videoclipe da banda paraibana Burro Morto, além de exibição de curtas-metragens.
A curadoria da mostra é do cineasta Carlos Dowling.

Haverá oficinas, exposição e debates
Em parceria com o Sebrae-PB, o Festival Mundo buscou atender temas diretamente ligados às reais necessidades de quem produz e divulga música, sempre focados na realidade de trabalho local.
As oficinas serão as seguintes: Home Studio - Oficina musical básica sobre técnicas de gravação, edição e mixagem em um computador pessoal; noções de hardwares e softwares; pré-produção; dicas e truques. Produção de videoclipe com baixo orçamento - Estética de som/imagem; edição; manejo de equipamento; como trabalhar com baixos orçamentos e, como resultado, início de produção de um vídeo clipe com a turma.
Haverá uma exposição coletiva, com 8 artistas locais, refletindo a produção contemporânea de artes visuais, tendo curadoria de Fábio Queiroz, no Casarão IAB.
Os debates serão para discutir funções, rumos e facilitar a troca de experiências, essenciais para ampliação de visões de mercado. Os debates acontecerão durante toda a tarde de sábado, e terá como publico principal os artistas locais e interessados em produção de música independente.
Os temas dos debates serão os seguintes: Profissionalização de bandas no mercado independente; Rock: contracultura e produto de mercado.

Redação